O pesadelo do voo da Azul para Foz do Iguaçu

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Viajar, mesmo quando a trabalho, sempre foi sinônimo de alegria pra mim. Eu amo todo o processo envolvido: a preparação, o ambiente dos aeroportos, o voo, a excitação de chegar a um lugar novo, e cada minuto explorando o destino. Mas a Azul Linhas Aéreas Brasileiras tirou um pouco dessa alegria, e vou contar pra vocês o motivo. Saibam como foi o pesadelo do voo da Azul para Foz do Iguaçu.

Foz era um destino que eu queria conhecer muito, há bastante tempo. No último fim de semana aproveitei o feriado para visitar a cidade junto com o meu filho mais novo, o Pedro. Na ida, optamos por um voo da Azul que sai de Porto Alegre por volta das 7h, com conexão em Curitiba antes de chegar ao nosso destino final.

Na véspera éramos só alegria: pesquisamos sobre os passeios que faríamos (spoiler alert: fizemos quase todos, e teremos muitos posts sobre Foz em breve!), arrumamos as malas na noite anterior, dormimos cedo e chegamos na hora no aeroporto.

Voo 1

Nosso primeiro voo saiu de Porto Alegre às 07:17 – quer dizer, isso é uma estimativa. Mas foi um voo tranquilo, com sistema de entretenimento individual. Sem nenhum susto ou problema – o único distúrbio foi uma gargalhada que dei assistindo Vai Que Cola na tv. Chegamos no horário em Curitiba e fomos direto pro portão de onde sairia nosso voo para Foz do Iguaçu.

Voo 2

Em Curitiba, fomos encaminhados para o avião no horário. O avião era um modelo ATR, esse que ilustra o post. Achei curioso o modelo e tirei a foto. Estava feliz porque consegui reservar as poltronas 1 e 2 para nós, com mais espaço para as pernas. Eram as poltronas junto à saída de emergência, e tivemos uma aulinha particular com a comissária. O lado ruim é que esse modelo não tinha entretenimento nenhum, mas era pra ser um voo curto, então tranquilo.

O voo estava rolando tranquilamente até que o avião começou a sacudir. Turbulências fortíssimas passaram a acontecer, sem parar. O avião chacoalhava, sacudia, e perdia altitude com frequência. A comissária se amarrou no banco à nossa frente. O vizinho do outro lado do corredor começou a vomitar no saquinho de plástico disponibilizado em cada assento. E ficamos sacudindo no ar por uns bons 15 minutos – meu filho, felizmente, passou o tempo todo dormindo. E eu agarrada no encosto do banco tentando pensar em coisas boas e positivas e me lembrando a cada minuto que turbulência não derruba avião. Da cabine do comandante, nem uma palavra.

Até que o avião deu meia volta. E foram mais uns 15 minutos chacoalhando no ar até que o sinal de desatar os cintos fosse desligado. Os comissários correram pra atender as pessoas que estavam passando mal (eram várias). Um médico que estava a bordo atendeu o nosso vizinho, que estava realmente muito mal.

Finalmente o comandante se pronunciou: atravessamos uma zona de turbulência que não havia sido prevista, não poderíamos pousar em Foz do Iguaçu e o avião ia voltar para… Porto Alegre!

Mais uma hora de voo, os comissários pediram que o nosso vizinho sentasse mais ao fundo da aeronave, perto da porta, para que uma ambulância o retirasse quando pousássemos. Ele saiu de ambulância, pudemos desembarcar no Salgado Filho, e rapidamente uma funcionária da Azul apareceu e nos disse para recolhermos nossa bagagem na esteira e nos encaminhássemos para o balcão da Azul para instruções do que fazer.

Porque não pousamos em Curitiba? Até hoje não sei.

Voo 3

Ao chegar no balcão da Azul, uma fila enorme se formou para atendimento, que foi realizado um por um por dois ou três funcionários. Nessa altura já deveríamos estar em Foz, onde tínhamos um city tour agendado, e estávamos com fome, cansados, assustados. Ficamos três horas em pé na fila, até que um senhor (que depois descobri ser o supervisor) pegou nossos documentos e disse que ia tentar nos encaixar em um voo próximo.

O senhor supervisor nem nos atendeu no balcão e eu nem sabia pra que lado ir. De repente ele chegou e disse que nos encaixou em um voo pra Campinas, e de lá pegaríamos outro pra Curitiba e outro para Foz do Iguaçu. Ele nos pediu pra não despacharmos as bagagens, pois o voo pra Campinas já estava saindo.

Corremos pra área de embarque, onde comprei dois pastéis (tá me devendo R$ 25, Azul!) e corri pra dentro do avião com as nossas malas. Assim que entramos na aeronave, obviamente as comissárias implicaram com a bagagem e chamaram um rapaz para despachá-las. Achei melhor não arriscar, e pedi que não as mandassem para o destino final, e sim para Campinas.

Meu filho ficou separado de mim no avião, e minha perna não parava de tremer. Será que a Azul acabou com o meu prazer em voar? Com certeza acabou com o meu prazer em comer batata chips e goiabinha – já era a terceira rodada do dia!

Voo 4

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O impressionante aeroporto de Viracopos

No final da tarde, desembarcamos em Viracopos. Ainda estávamos cansados, com fome e estressados. Pegamos nossas bagagens e já fomos despachar para o próximo voo. A atendente em Campinas era grosseira e antipática, mas conseguiu nos deixar juntos nos próximos voos.

Depois fomos para a loja da Azul para solicitar alimentação. Nos deram um vale de R$ 75,00 no Spoletto localizado na área de embarque, e corremos para finalmente comer algo que não fosse lanchinho.

Porém chegamos em cima da hora e comemos correndo. E correndo fomos para o portão indicado no cartão de embarque (se você conhece Viracopos, sabe que o aeroporto é gigantesco). Ao chegar lá, estranhamos que não tinha nenhum movimento no portão, e ao checar, descobri que o portão tinha sido trocado. Faltando 10 minutos pro embarque.

E aí corremos como se não houvesse amanhã pro outro portão, que era do outro lado do aeroporto (as placas indicavam 25 minutos de caminhada pra chegar até a nossa nova área de embarque, ou seja, a conta não fechava). Sério, Azul? SÉRIO?

E depois de correr muito, descobrimos que nosso voo ia atrasar. E atrasou muito: era pra sairmos de Campinas às 19h, e entramos no avião por volta das 20h30. Na hora de embarcar, mais um susto: o avião era outro ATR. Nessa altura eu só não estava chorando de desespero pra não assustar o Pedro. Mas, felizmente, o voo foi muito tranquilo.

Voo 5

Por sorte, mesmo com todo o atraso chegamos a Curitiba a tempo de pegar o voo da Azul para Foz do Iguaçu.  Já estávamos com fome novamente, então fizemos mais um lanche no aeroporto (mais R$ 35 pra sua conta, Azul). Embarcamos por volta das 23h, e o voo foi bem tranquilo.

Mas faça as contas: chegamos em Foz do Iguaçu às 00h30 do dia seguinte, quando era pra desembarcarmos por volta das 11h. Foi um dia inteiro voando, sendo maltratada, e sofrendo com a bagunça da Azul. Sou grata por terem nos tirado daquela maldita zona de turbulência, mas por que a companhia não estava preparada para realocar todos os passageiros? Por que já não tinham tudo organizado quando desembarcamos? Por que não nos deram toda a assistência, para garantir o conforto dos passageiros? E que bagunça foi aquela em Campinas?

Sou fã da Azul e dos seus preços baixos, mas não recomendo de jeito nenhum o voo da Azul para Foz do Iguaçu. E aprendi a me preocupar com mais uma coisa na hora de escolher o voo: o modelo da aeronave. ATR, esse teco-teco que voa mais baixo e sacode a qualquer ventinho, nunca mais.

 

2 thoughts on “O pesadelo do voo da Azul para Foz do Iguaçu

  1. Caramba… eu teria tido um treco com a turbulência. E quanto à Azul, eu tenho ido para o Brasil sempre nela, mas são voos maiores portanto avião maior. Mas no de 5 dias atrás tb teve uma turbulência que me fez tomar um rivotril pela primeira vez em avião. Fato que se comprar uma passagem e for esse avião eu cancelo na hora rs

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