29 horas em Punta del Este no inverno

Mesmo contra todas as indicações, acabei passando pouco mais de um dia em Punta del Este durante o inverno. Desde o ano passado eu pensava em fazer uma viagem ao Uruguai/Argentina no verão. Minha ideia era sair de ônibus de Porto Alegre e ir passando em algumas praias até chegar em Montevidéu, depois Colônia e por fim passar alguns dias em Buenos Aires. Dois verões passaram e eu não consegui concretizar o meu roteiro. As férias só vieram no inverno e em épocas de grana curta. Mas, sabe como é? Quando o assunto é viajar a gente sempre faz o máximo para os planos saírem da tabela do Google Docs. Muda ali, altera aqui, corta um gasto acolá e sempre dá para fazer alguma coisa.

Já contei antes que fiz a viagem de ônibus. Não ia colocar Punta del Este no roteiro, mas me pareceu tão atraente a ideia de conhecer a cidade, mesmo sabendo que estaria deserta. Aqui no Rio Grande do Sul a praia, carinhosamente só chamada de Punta, há tempos é um dos destinos favoritos dos ricos e famosos e mais recentemente tem se tornado um destino bem popular, mesmo para aqueles não tão ricos assim. Aí pensei: não custa nada fazer uma paradinha antes por lá, não é mesmo? Na verdade custa sim. E se eu tivesse pensado e pesquisado só um pouquinho mais teria feito diferente. Mas tudo é válido em termos de viagem. A experiência ruim de uns serve como alerta para outros, e assim vai.

A chegada

punta del este

Cheguei em Punta del Este às 6h15 de uma segunda-feira de agosto. A rodoviária é bem pequena e estava praticamente vazia. Os guichês da Copsa e da Cot, duas das principais empresas de ônibus do país, eram as únicas coisas abertas.  O dia ainda não tinha amanhecido. Tirei algumas fotinhos da escultura dos “Dedos” de longe. Sim, a rodoviária é bem em frente dessa faixa da praia, com duas ruas separando, mas nenhuma construção atrapalhando a visão.

O hostel que fiquei, o El Viajero, fica próximo, umas quatro quadras pequenas, mas a combinação: local desconhecido, ruas desertas, noite e frio me fizeram esperar um pouco. Mas assim que amanheceu segui rumo ao hostel, que foi fácil de achar.

O local estava quentinho, com a lareira acessa, mas eu só poderia fazer o check in e dar entradas às 14h. Como era cedinho ainda, sentei um pouco e fiquei assistindo Aracnofobia (tive muitos pesadelos sobre esse filme durante a viagem). Com o Wifi do hostel consegui avisar o pessoal de casa que tinha chegado bem.  Dei várias cochiladas no sofá. Até que lá pelas 8h trocou o turno do pessoal na recepção. Fui falar com a moça e, como eu tinha reservado um quarto individual e já tinha um vago, eu pude fazer o check in e dar uma dormidinha. 🙂

Explorando Punta Del Este

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Eu queria muito ir até a Casa Pueblo, mas já tinha em mente que talvez não conseguisse. A famosa casa do artista Carlos Páez Vilaró fica em Punta Ballena, uma outra praia a cerca de 16 km de onde eu estava.  O transporte público não é tão fácilem Punta como em Montevidéu, por exemplo. Claro, que o lugar é muito menor. Mas vi poucos ônibus circulando por lá. Tanto é que as recomendações que li antes de ir eram: alugue um carro. Mas isso estava fora de cogitação para mim ($$).  Perguntei na recepção do hostel como chegar na Casa Pueblo. Eram duas opções: um ônibus que passa na rodovia e tem que caminhar um pouco para chegar até lá ou um city tour.

A ideia do ônibus era tentadora, mas como já tinha lido um relato de uma aventura nada agradável, decidi não arriscar. (Viram como toda a experiência ruim acaba servindo de alguma coisa? ) Já o city tour custava 500 pesos. Quase o orçamento de um dia todo. Como eu fui em nível viajante “catando as moedas”, dispensei.

Eram 10h quando sai do hostel. As ruas estavam quase desertas. Lembrando que era uma segunda-feira. Muitas lojas também estavam fechadas. Caminhei pela Avenida Francia — que é paralela com a avenida beira mar — até chegar à Playa Brava.

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Dei uma caminhadinha rápida na praia, mas nem cheguei perto do mar. O Monumento de los Dedos estava praticamente vazio. Tinha um casal e depois um grupo de amigas, mas consegui tirar muitas fotos dele sem nada nem ninguém. A escultura é divertida e tudo mais. Mas gente, como fede! Fui tirar uma fotos nos meios dos dedos e sérião, como alguém tem coragem de ficar se encostando neles para ficar bem na foto? Cheirão de xixi nível banheiro público no local mais movimentado da cidade.

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Depois de fazer as minhas poses ali, atravessei a rua e troquei minhas Dilmas pelos Mujicas. A casa de câmbio era bem do lado da rodoviária e a única aberta pela região. Apesar de estarem anunciando a compra do real por 9.30, eles fizeram por 9.50.

A essa altura eu já estava de frente para a Avenida Gorlero, o centro de Punta Del Este. Imagino que no verão seja uma cidade vibrante, com gente por todos os lados, lojas e mil carros circulando. Nessa época não era nada disso. Tinha apenas algumas poucas lojas abertas: umas de souvenirs (caríssimos!) e lojas de roupas como a Parisien.

Não caminhei muito pela rua, logo na primeira esquina já me chamou a atenção o mar à minha direita: a Playa Mansa. Que na verdade não é mar, desse lado é o Rio de la Plata. Logo que cheguei no calçadão já avistei o famoso Conrad Hotel (beijo, Amaury!). Mas resolvi deixar para depois. Aliás, deixei para depois também a Calle El remanso, a tal das lojas de grife, mas acabei esquecendo e à noite já estava tudo “cidade abandonada”.

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Caminhei toda a orla da praia, em direção ao porto e à Punta propriamente dita. É um caminho bastante agradável. A orla tem muitos prédio bonitos e chiques. Dá realmente para entender o fascínio dos brasileiros. É uma atmosfera praiana bem diferente da nossa, tem um ar ora meio Riviera Francesa ora meio Califórnia. Digo isso só no meu achismo, por filmes e etc., pois não conheço, de fato, nenhum dos dois lugares citados.

Quanto mais se aproximava do porto, maior era o número de restaurantes. Todos com combinações de cardápios especiais anunciadas. Os valores eram por volta dos 500 pesos. Eu nem me atrevi, claro. Mas vários dos restaurantes tem mesas em pontos estratégicos e privilegiados. A vista com certeza é incrível.

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Depois que passa o porto, entra numa área bem residencial, onde os prédios dão lugar a casas. Casarões na verdade. Minha ideia era dar a volta na Punta, seguindo pela Rambla General Artigas até chegar de volta à Playa Brava. Mas já passava do meio dia e eu, como boa sedentária, já estava exausta e faminta. Acabei entrando na rua El Faro quando avistei o Farol, que fica na Plaza 2 de Febrero. Na mesma praça está também a Iglesia Candelaria.

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Dali segui pela Calle 2 de Febrero. Precisava desesperadamente de um lugar para comer e sentar.  Dobrei na Calle La Salina e depois na El Foque até chegar na Gorlero novamente. Encontrei um lugar para comer nas imediações que não parecia muito caro. Acabei encontrando as milanesas gigantes.

Desci pela Gorlero até chegar ao hostel novamente. Incrível como tinham lojas vazias. Algumas pareciam abandonadas, outras saqueadas. McDonald’s e Burguer King tinham cartazes dizendo que estavam atendendo no shopping. Algumas outras lojas diziam o mesmo. A feira de artesanato, claro, fechada.

Hora de apostar

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Depois de dar mais uma dormidinha, saí para explorar a noite de Punta. Quer dizer, para tentar descolar um lugar aberto. Com uma pontinha de esperança, refiz meu caminho da manhã e tentei ver se tinha alguma coisa aberta lá pelas bandas da El remanso. Como a movimentação era nula, caminhei na direção contrária do dia e fui até o Conrad.

Caminhei bastante e quase não tinha ninguém na rua. E quando aparecia alguém eu ficava com medo! Mas o medo era só por que estava tudo muito deserto e era noite, não que tivesse realmente uma situação que justificasse. Andei por umas seis longas quadras antes de chegar no Conrad. Aí na volta, me dei conta que na verdade o hostel era praticamente do lado do hotel.  Que eu não precisava dar toda aquela volta. Foram duas quadras rapidinhas. :/

O hotel é imenso e a entrada para o cassino fica na lateral. No térreo tem uma casa noturna e as escadas rolantes que levam para o cassino. É só chegar chegando mesmo. Ninguém te aborda nem nada.

O lugar é gigantesco. Cheio de máquinas caça-níqueis dos mais variados temas: tem de Sex And the City e Caça Fantasmas até Ilha da Sedução e Batman. Tem uns que tremem o banco quando tu ganha alguma coisa. Tem as salas particulares, que imagino seja onde role os negócios com cartas. Não vi as roletas tão famosas nos filmes de Vegas.

As apostas são feitas apenas em dólares.  Por isso tem vários guichês de câmbio. Existe também uma espécie de clube e os membros podem carregar um cartão e usar nas apostas. Como eu estava pobre, mas não miserável, troquei 10 obamas para poder brincar de rica. Na primeira aposta, é só colocar a nota na máquina. Quando cansar de brincar é só pedir o resgaste. A máquina imprime um ticket com o teu saldo. Caso você tenha sorte e ganhe algum valor expressivo, é só ir trocar o ticket por cash. Eu até ganhei uns centavos, um dólar, algo assim. Meu ticket final tinha apenas 8 cents. Dá para entender como os cassinos ganham rios de dinheiro. A gente perde tão rapidinho. Mas super valeu a pena. Mais um item riscado das coisas a fazer.

Hasta la vista, Punta!

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O dia seguinte foi para dormir um pouquinho mais pela manhã e dar tchau à Punta. Meu ônibus para Montevidéu saiu às 11h. Ao contrário de segunda, que tinha bastante nuvens e vento, a terça-feira estava bem ensolarada e com o céu limpo. Mas não deu tempo de incluir nenhum passeio, só tirar mais umas fotos dos “Dedos”.

Considerações
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Caminho que leva à ponta propriamente dita

–> Passar só um dia em Punta acabou sendo bem cansativo.  A viagem de ônibus foi longa e senti muito sono durante os dois primeiros dias. Dormi na segunda pela manhã e no final da tarde. Na terça-feira, assim que o ônibus começou a andar, eu dormi, mesmo lutando para me manter acordada e olhar a paisagem. Já em Montevidéu, a terça-feira só serviu para reconhecimento de terreno. Saí para almoçar, mas em seguida voltei para o hostel e dormi com vontade. No início me senti culpada de estar com tanto sono, até que minha amiga viajada Gisele me lembrou de algo importante: eu estava em férias!

–> Além de cansativo, não foi a melhor opção financeiramente falando também. Se eu tivesse ido direto a Montevidéu, eu poderia fazer um day tour até Punta Del Este, conhecendo todos os pontos turísticos mais afastados do centro, como a Casa Pueblo, por um preço equivalente ao gasto no hostel + passagem de ônibus.

–> Preciso voltar no verão para ver Punta Del Este em ação.

One thought on “29 horas em Punta del Este no inverno

  1. Ler relatos de viagem é muito bom! Gratidão por postar. Estava cogitando a possibilidade de hospedar em Punta del Este quando li sobre City tour. Tudo de bom! Rsrs.
    Amando o blog de vcs! 🙂

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